Zona de conforto – Sair para expandir

Escrito por: Sandra Maria de Sousa Pereira

Todo mundo já ouviu falar da tal da zona de conforto.

Ela leva a culpa por nossa inércia, falta de atitude, falta de ação e de foco naquilo que queremos conquistar.

Muitas vezes até a falta de vontade de estabelecer quereres significativos para nossa vida é atribuída a ela.

A zona de conforto é aquele espaço do conhecido, do que dominamos bem e no qual transitamos sem problemas. E precisamos dela em alguns momentos, para nos refazermos de nossas jornadas e batalhas diárias.

Entretanto, não significa que nos sintamos realmente bem e confortáveis nela. Mas, com certeza, nos sentimos mais seguros não ultrapassando os seus limites.

Já ouvi muitas vezes que a zona de conforto é boa até se transformar em zona de desconforto, ou seja, até percebermos que estamos nos limitando, deixando de ser e de fazer mais, de viver nosso pleno potencial por causa dessa falsa segurança.

É muito tentador ficar quietinho nesse colchão quentinho, não fazer nada para mudar, dizendo coisas como “não se mexe em time que está ganhando” ou outros ditos populares, que nada mais são que crenças enraizadas na nossa cultura.

Mas, usando também um dito popular, “tudo que é demais não presta”.

Se ficamos muito tempo na zona de conforto, não crescemos e até mesmo perdemos muitas de nossas conquistas anteriores, por falta de uso ou por obsolescência.

“Nós somos muito bons em nos auto-convencer a continuar na zona de conforto. A gente é muito bom em enrolar a gente mesmo.”  (Murilo Gun)

Chega um momento que nossa alma nos pede para mudar, crescer, descobrir novos horizontes, viver novas experiências.

E, se não atendemos a esse chamado, por falta de tempo, medo ou por não queremos mudar, acabamos ficando sem energia, até mesmo deprimidos.

Queremos ter certezas e não dúvidas, resultados e não experiências, mas nem mesmo percebemos que as certezas só podem surgir através das dúvidas e os resultados somente através das experiências.”  (Jung)

Não há nada de errado em curtir o conforto do que nos faz bem, do conhecido e seguro. Todos nós precisamos ter um porto seguro, um cantinho para nos aninharmos e recuperar nossas forças.

É perfeitamente compreensível que queiramos preservar esse espaço. Mas não dá para ser a todo custo. Não dá para ser ao custo do nosso crescimento, do nosso brilho dos olhos, do nosso desenvolvimento e da autorrealização que nossa alma e nosso coração pedem.

No final, deixa de ser confortável se evitamos fazer coisas diferentes ou de nos desafiar por medo ou preguiça. Passa a ser algo que nos coloca para baixo, nos tira a autoestima… e fica pendente sobre nossas cabeças, sempre perguntado “e se eu tivesse tentado?”.

No final, não vale a pena nos agarrarmos a essa zona de conforto, quando ela deixou de ser confortável e ficou apenas conhecida e segura.

Então, o que fazer?

Na minha opinião, é necessário um equilíbrio, um caminho do meio, um constante ir e vir, um dançar entre as duas situações.

Nem vamos destruir nossa zona de conforto e nem evitar as situações que nos desafiam e, por isso, trazem algum tipo de insegurança ou incômodo.

Vamos sair da nossa zona de conforto, experimentar situações novas, o desafio.

E, no final, o que vai acontecer é que teremos expandido nossa zona de conforto, incluindo as novas experiências.

Teremos mais repertórios possíveis de atuação, mais experiências acumuladas, que permitirão que fiquemos confortáveis em vários tipos de situação.

Sempre teremos, é claro, o frio na barriga ao experimentar o novo, o diferente. E mesmo o que já experimentamos, quando ainda não é de todo tão habitual, nos deixará em situação de incômodo e desequilíbrio.

Mas será aquele desafio que nos atiça, nos faz dar o nosso melhor. E não o que nos deprime e derruba.

Uma estória real

Nas últimas semanas tive uma experiência de sair totalmente da minha zona de conforto. Fui convidada para dar um treinamento, em Inglês, fora do país…

Aiiiiii… gelei, tentei barganhar, recusar, pôr o pé no freio… mas no fundo eu sabia que não tinha jeito: se eu não encarasse esse desafio, não me perdoaria jamais.

E assim eu fui, com medo, com frio na barriga… na verdade, com dor de barriga mesmo!

Trabalhar num treinamento, fora do País, com um grupo de consultores de outra cultura, com o qual só tinha me alinhado on line, com um planejamento incipiente para o meu padrão (tudo que eu não gosto!!!) e em Inglês!

Enfim, uma total “zona” de desconforto!

Mas, uma vez que você vislumbra outras possibilidades, fica difícil se contentar com o já conhecido e não se desafiar. Se fosse assim, passaria a ser uma zona de desconforto ainda pior.

Fiz o meu melhor para me preparar, flexibilizei um pouco o meu nível de exigência, fui… dei meu recado, reforcei minha imagem no grupo, aprendi muito, conheci muita gente interessante, vi o quanto ainda tenho de aprender… e voltei cansada (muito!) e feliz com esse salto quase quântico no que se refere à minha visão do que sou capaz e de muitos outros caminhos possíveis para minha vida e minha carreira.

“Quando a gente sai da zona de conforto, a gente não entra na zona de desconforto, e sim na zona de aprendizagem.” (Murilo Gun)

Foi fácil? Nadinha. Foi assustador, irritante e incômodo. Mas foi também desafiador e inspirador (principalmente depois que passou he he he). E o melhor: ampliou muito a minha zona de conforto.

Na próxima vez, estarei mais preparada, será mais fácil, farei ainda melhor… e, claro, os desafios serão outros.

Isso é o que eu chamo ir e vir da zona de conforto para a desconforto e novamente para a de conforto agora ampliada… dançar nessa espiral de constante evolução… descansar, se desafiar, descansar de novo.

Zona de conforto ampliada, aqui estou eu, colocando a necessária ordem na casa.

Zona de desconforto, me aguarde, vamos nos ver novamente! Mas me dá um tempinho, ok? Vou ali buscar minhas pantufas…

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